segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O vendedor de sonhos: A FERROVIA DO DIABO

O vendedor de sonhos: A FERROVIA DO DIABO: Brinnya Alencar - Representante de Porto Velho Eu sempre gostei de ler. Devo este gosto ao meu tio Nicola, que desde a minha inf...

A FERROVIA DO DIABO


Brinnya Alencar - Representante de Porto Velho


Eu sempre gostei de ler. Devo este gosto ao meu tio Nicola, que desde a minha infância, sempre me presenteava com livros e revistas e embora eu ainda lesse com muita dificuldade, ele pacientemente, lia para mim. Lembro que quando eu terminei o curso primário, ele me deu de presente um livros chamado “Anuários da Seleções”. Era um livro grande, com muitas fotografias e este livro me acompanhou por muitos anos. A medida que minha leitura ia melhorando, também melhorava o meu entendimento do que o livro dizia. Era uma coletânea das publicações daquele ano da famosa revista Seleções do Reader’s Digest.

Com o passar dos anos, fui me aprofundando no mundo literário, li tudo de Julio Verne, Agatha Cristhie, José Mauro de Vasconcelos, José Lins do Rego, José de Alencar e outros autores. Certa dia, conversando com meu tio, ele me contou a historia de uma ferrovia que foi construída a partir do final de 1880, pelos ingleses, para fazer o escoamento da produção da borracha para a Europa. Esta ferrovia saia de Porto Velho e ia até o município de Guajará-Mirim, onde as cachoeiras do Rio Madeira já tinham acabado. Me encantei com esta historia e anos depois eis que encontro o livro Ferrovia da Morte – Madeira Mamoré. Li o livro muito rapidamente, e tudo que eu havia ouvido se confirmou na narrativa do autor, mas vou reproduzir abaixo um pouco desta historia que poucos conhecem.


Devido ao alto preço da borracha no mercado mundial, a ocupação do Vale do Guaporé pelos portugueses levou a região do alto Madeira a Mamoré a intensificar a produção da colheita do látex. A ligação que ia do Mato Grosso ao Atlântico, através dos rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas, era o percurso realizado no escoamento da produção comercial do Brasil e da Bolívia. A ideia de construir uma ferrovia surgiu em 1861, mas somente em 1877 é assinada Madeira – Mamoré Railway Co., um empreendimento incorporado pelos irmãos americanos Philips e Thomas Collins. Da Filadélfia, no ano de 1878, partiram engenheiros e demais trabalhadores junto com toneladas de máquinas, ferramentas e carvão mineral. Dada a insalubridade do local aliada à falta de alimentação, o único saldo positivo foi a construção de sete quilômetros de trilhos assentados. Vencidos pelas doenças e pela fome, foram poucos os trabalhadores que sobreviveram. A partir de janeiro de 1879, com a falência da empresa Collins decretada, não havia mais o que fazer. Com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 17 de novembro de 1903 entre a Bolívia e o Brasil, o Estado do Acre, que à época se fazia uma região pertencente à Bolívia, formalizou-se incorporado ao território brasileiro. Com esse acordo, o Brasil pagou à Bolívia dois milhões de libras esterlinas, cedeu algumas terras do Amazonas e se comprometeu com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, com o seu trajeto desde o porto de Santo Antônio, no rio Madeira, até Guajará-Mirim, no Mamoré, com um ramal chegando à Vila Bela, Bolívia, o que permitiria o uso de ambos os países com direito às mesmas franquias e tarifas. O Brasil ficava obrigado a construir a estrada de ferro no prazo máximo de quatro anos. Com a concorrência vendida ao americano Percival Farquhar, foi adotado o mesmo nome usado pelos irmãos Collins: Madeira Mamoré Railway Co.. Saíram de Nova York em 1907. A partir do ano de 1909, quando a ferrovia já contava com 74 km construídos. A Estrada de Ferro Madeira – Mamoré estava inaugurada em 1912. No entanto a Bolívia, nesse ano, já chegava ao Pacífico por duas ferrovias e estava sendo concluída a sua ligação com o Atlântico, pela Argentina. O canal do Panamá estaria concluído dentro de três anos e, com isso, a Madeira – Mamoré só daria lucro nos dois primeiros anos de atividades, pois a produção ordenada dos seringais do Oriente fariam cair o preço da borracha no comércio internacional. Com a falência de Percival Farquar, os investidores ingleses e canadenses foram obrigados a assumir a administração da ferrovias, o que fizeram até o ano de 1931. Em 1937, Aluízio Pinheiro Ferreira, a mando de Getúlio Vargas, assume a direção da ferrovia, que permaneceu em atividade até 1966. Depois de 54 anos de atividade, acumulando prejuízos durante esse tempo, Humberto de Alencar Castelo Branco determina a erradicação da Estrada de Ferro Madeira – Mamoré que seria substituída por uma rodovia. Atualmente, o que restou da ferrovia é um trecho recuperado que atinge a vila de Teotônio. Por falta de recursos para manutenção, o trem trafega apenas no primeiro trecho, mesmo assim, precariamente‘ (Site da Fundação Biblioteca Nacional).

Eu sempre tive em pensamento um dia conhecer a Ferrovia Madeira Mamoré, mas dada a distância e a falta de atividade, o meu sonho esta cada vez mais difícil de ser realizado, até o dia que o Pardini entrou na minha vida. Eu fui contratado para montar um equipe de vendas em todo o Brasil e ai estava minha oportunidade de matar dois coelhos com uma só cajadada.

Eu havia saído de viagem para resolver um problema em Campo Grande e aproveitei a viagem e fui até Cuiabá, onde fiquei mais alguns dias. Lá eu já tinha contratado uma biomédica, Dra, Inês, que era a responsável pelo Hospital Julio Müller, um hospital universitário e publico, que vivia lotado dia e noite. De lá vinha praticamente toda a rotina da cidade. Numa noite, no hotel, comecei  a estudar o mapa do Brasil e vi que Porto Velho estava mais perto de mim, do que nunca esteve antes. Apenas 1500 quilometros.

Liguei no dia seguinte para Belo Horizonte e conversei com o Gerente de Apoio, meu amigo Jorge Goston e ele me autorizou a implantar a região. Dias depois, me despedi do pessoal de Cuiabá e rumei com destino a Porto Velho. Não tinha a menor ideia do iria encontrar pela frente, o estado das estradas, postos de combustíveis, alimentação. Enchi o tanque e encarei o desafio. A primeira parada foi na cidade Cáceres. Local muito bonito, explorado pelo turismo ecológico, onde muitos barcos, que parecem hotel, levam os turistas para pesca pelos rios que formam o Pantanal. Dali, segui viagem e dormi a primeira noite em Pontes de Lacerda. Ainda era cedo, mas a estrada não colaborava e era tudo desconhecido para mim.
Barcos de turismos de Cáceres. São Hotéis flutuantes

Seguindo viagem no  dia seguinte, me deparei com uma estrada deserta e cheguei a ultima cidade do Mato Grosso, Comodoro, ainda por volta de 15 horas. Tinha em mente chegar a maior cidade de Rondônia, além de Porto Velho, que era Vilhena. Fui parado por uma barreira policial, no meio do nada, que tinham somente como interesse  levar algum por fora. Eu estava com tudo em ordem, mas mesmo assim, gentilmente, ofereci um valor a eles e fui dispensado, Cheguei em  Vilhena no inicio da noite e me surpreendi com o progresso daquela cidade. Moderna, limpa, com bons hotéis e restaurantes e um bom numero de laboratórios. Fiquei uma manhã por lá conhecendo o mercado e no dia seguinte segui viagem até Ji-Paraná, uma boa cidade às margens do Rio Machado, que corta a cidade. Antes tinha entrado em Cacoal e depois, antes de chegar a Porto Velho, entrei na cidade de Ariquemes, onde pernoitei mais uma noite.
Vilhena - Cacoal - Ji-Paraná e Ariquemes
Minha chegada em Porto Velho foi no começo da manhã. Fazia muito calor, mas havia chovido a pouco tempo. Me hospedei num hotel bem próximo ao centro e resolvi começar visitar os laboratórios para ver se conseguia descobrir logo uma pessoa para ser o representante Pardini na região. Queria também conversar com alguém sobre a Ferrovia do Diabo, mas ninguém sabia nada, apenas informaram que no porto do Rio Madeira havia umas maquinas velhas que ainda percorriam um certo trecho da ferrovia.
Simbolos de Porto Velho. O Rio Madeira e as 03 caixas d'água
A cidade de Porto Velho, naquela vez que lá estive, estava toda esburacada e havia grandes poças d’água por todas as ruas do centro. Era difícil não cair num buraco. Parei no primeiro laboratório da lista que eu tinha de clientes de Porto Velho. Era uma empresa bem acanhada, pequena e para entrar tive que subir degraus na calçada, que era mais elevada devido as enchentes que sempre ocorria. O Rio Madeira estava a menos de 150 metros de onde me encontrava e dava para ver a majestade deste grande afluente do Amazonas, mas isto fica para mais tarde.

Entrei no laboratório e tinha uma moça muito simpatica na recepção e mais nada. Não tinha cliente, não tinha técnicos trabalhando e nem o dono estava, apenas a recepcionista. Me apresentei a ela e conversamos um pouco sobre o meu trabalho e sobre a cidade e ai perguntei a ela se conhecia alguém para ser o representante do Pardini em Porto Velho
- Eu, respondeu sorrindo
- Você, respondi, mas tem que viajar, e as estradas não ajudam
- Eu sou a pessoa certa que você esta procurando.
- Qual o seu nome
- Brinnya!!
Eu não queria perder tempo e marquei com ela para me encontrar logo após o almoço no hotel que eu estava hospedado. Quando o recepcionista me ligou dizendo que tinha uma moça na portaria me esperando, arrumei a papelada e meu notebook e desci até a recepção. Para minha surpresa, ela estava lá, toda sorridente, mas acompanhada do namorado.

Me apresentou e pedi para preencher o formulário de cadastro de pedido de emprego, dei a relação dos documentos que precisaria providenciar e já pretendia iniciar o trabalho burocratico que tinha que ser feito pelo computador, mas o noivo ainda não se tocava e ficava ali do lado. Uma situação ridicula, pois era a primeira vez na minha vida que eu fazia uma seleção de pessoal com acompanhante. Estive para desistir da contratação, mas relevei e pedi para ela voltar na manhã do dia seguinte.  Ela voltou e o sujeito veio junto, mas ai disse para ela que iriamos sair para visitar os clientes no meu carro.  O sujeito ficou meio ressabiado, mas eles acabaram conversando e fomos trabalhar. Durante o dia, disse que não poderia contrata-la se o namorado viesse acompanha-la todo dia. Ele estava criando uma situação que dificultava o trabalho. Depois desta conversa, ele não voltou mais. Trabalhamos juntos mais  uma semana e estava na hora de eu voltar para Cuiabá, pois meu trabalho teria sequencia nas cidades de Goiânia e Brasilia.
Ferrovia Madeira Mamoré- um marco da engenharia em 1880  

Antes de partir, fui conhecer a Ferrovia do Diabo. Um museu caindo aos pedaços, com fotografias amareladas e abandonadas pelo descaso e no patio tinha duas locomotivas a vapor, uma delas ainda funcionando. Pensei até em fazer o passeio, mas o mesmo só acontecia aos domingos, se houvesse um numero minimo de passageiros e acabei desistindo.

Me despedi da Brinnya e prometi voltar dentro de 45 dias para ver como estava indo o trabalho e logo que terminei meu trabalho em Brasilia, tomei um voo para Porto Velho e a Brinnya estava me esperando, logico, com o namorado. Trabalhamos visitando todos os clientes novamente e disse que gostaria de ir até Rio Branco, capital do Acre, pois pretendia colocar um representante naquela lugar. Poderíamos ir de carro, mas ai entrou na parada o noivo novamente. Ele se ofereceu para ir junto no carro dele, que era mais novo e acabei concordando. Me acomodei no banco de trás e deixei o sujeito dirigir  e fui curtindo a viagem. A paisagem da região é muito bonita. Lá existe uma arvore que parece ser plantada invertida, como se as raízes fossem a copa, descobri depois se tratar do baobá.

Balsa do Rio Madeira
A viagem foi bem até a chegada do Rio Madeira, quando lá tínhamos que pegar uma balsa e navegar pelo rio por uns 05 quilometros. A Balsa passava a uns 30 metros da margem da Bolívia e era engraçado ver os soldados bolivianos armados, vigiando o caminho da balsa brasileira. Chegamos em Rio Branco e fomos visitar os laboratórios, mas devido ao horário que chegamos e o fuso horário de mais uma hora, não conseguimos encontrar quase ninguém e resolvi deixar Rio Branco para uma outra ocasião e retornamos a Porto Velho no final do dia. Com o namorado dirigindo. Certo ponto da viagem, vi que ele já não estava aguentando mais dirigir e assumi o volante e chegamos em Porto Velho por volta de 02 horas da madrugada.  Tinhamos percorrido mais de 1100 quilometros com a ida e a volta.

A partir daquele dia, ele nunca mais apareceu. Trabalhamos mais uns dias e quando voltei lá em outra ocasião, eles haviam terminado o namoro. Passando um tempo, eu estava em Belo Horizonte, recebo um telefonema da Brinnya, dando a noticia que mais me apavorava. Luis, estou gravida. Gravidez, significava ter que contratar um pessoa temporária e isto já era difícil próximo da gente, imaginem em Porto Velho. Ela continuou a trabalhar e quando estava perto de completar o 09 meses. Eu fui a Porto Velho e a ela me apresentou a uma moça chamada Carla Pinho, que era responsável pelo maior cliente nosso na cidade.


Carla Pinho  fez o trabalho da Brinnya durante a gravidez
A Carla se prontificou a realizar a coleta no tempo que a Brinnya ficasse afastada, mas não deixaria o emprego. Conversei com a empresa e fizemos um esquema para paga-la como prestadora de serviço. Logo depois que nasceu a filha Bruna, em pouco tempo a Brinnya voltou ao trabalho, fazendo apenas visitas comerciais, deixando a coleta para a Carla e assim funcionou por uns 03 meses. No final, tudo voltou ao normal. Anos depois, a vida da Brinnya e da Carla se misturam novamente, mas isto é uma outra historia. A Brinnya foi uma representante espetacular. Fiquei amigo de toda sua família, inclusive de seu pai, um musico incrível, que tocava na noite de Porto Velho e tive oportunidade de ver uma apresentação.

Hoje a Brinnya se casou com o Oswaldo e mora na cidade de Tanabi, aqui no Estado de São Paulo. É mãe de mais duas crianças, o Pedro e a Rafaela, além da Bruna. Trabalha atualmente como representante da Mary Key e dentro do seu plano de trabalho, deve atingir a diretoria da empresa este ano e ter o seu desejado carro rosa.


Uma grande amiga, uma grande mulher, uma mãe exemplar, a quem dedico toda minha homenagem  e o prazer de um dia ter acreditado nas suas palavras: “Você conhece alguém para me indicar. E a resposta Eu, estava correta.”

No próximo capitulo, vou contar mais sobre esta região e como desenvolvemos a região de Rio Branco, com a Maria Xavier.

Vou parar aqui para não deixar o capitulo muito longo.

Continua








domingo, 11 de fevereiro de 2018

ALTER DO CHÃO – PRAIA DE AREIA BRANCA

Alter do Chão - Um dos lugares mais bonitos do Brasil


Alter do Chão. Nome estranho num primeiro momento. Muitos talvez nunca ouviram este nome, mas se trata de um dos lugares mais bonitos do Brasil. Vejam a definição encontrada sobre este lugar, através do Wikipédia:

Alter do Chão é um dos distritos administrativos do município de Santarém, no estado do Pará. Localizado na margem direita do Rio Tapajós, dista do centro da cidade cerca de 37 quilômetros através da rodovia Everaldo Martins (PA-457). É o principal ponto turístico de Santarém, pois abriga a mais bonita praia de água doce do mundo segundo 
jornal inglês The Guardian, ficando conhecida popularmente como Caribe Brasileiro.[1]
No início do século XX, Alter do Chão era uma das rotas de transporte do látex extraído das seringueiras de Belterra e Fordlândia. Foi um período curto de desenvolvimento para a vila. Mas a partir da década de 1950, ocorreu a decadência do extrativismo amazônico e a vila foi atingida pelo déficit econômico. Desde a década de 1990 até os dias de hoje, o atual distrito aposta no turismo para evoluir economicamente, no qual obteve bons resultados.
Nas margens do rio Tapajós e do Lago Verde, em Alter do Chão, existem diversas praias. A mais famosa delas é a praia de mesmo nome do distrito, localizada em uma península com terrenos arenosos e inundáveis e também conhecida como Ilha do Amor. Existem também praias menores, como Cajueiro, na orla do distrito.]
Para fechar o espaço da região amazônica, tinha mais um desafio pela frente. A cidade de Santarém. Localizada no meio da Selva Amazônica, a 1000 quilômetros de distancia de Manaus  e a 1000 de Belém, é uma cidade moderna, com um bom aeroporto e o melhor porto fluvial do Brasil. Localizada na confluência dos Rios Tapajós e Amazonas, esta cidade conta com uma população superior a 250,000 habitantes. 
Ali, na época que lá estive, é um ponto de comercio de todas as cidades ribeirinhas. Diariamente, centenas de pessoas chegam e partem de inúmeros barcos trazendo e levando mercadorias, pessoas, medicamentos. É impressionante o movimento que existe no Porto de Santarém. A cidade também foi um importante local para o comércio do ouro. Ainda existia na época muitas lojas de comercio de compra e venda deste metal precioso.
Meu negócio era laboratório de analises clinicas e eu estava lá para criar uma frente de trabalho para atender a região e o objetivo era o mesmo de outros lugares, encontrar e treinar uma pessoa para cuidar das tarefas de venda, coleta e transporte das amostras para Belo Horizonte.
Como a cidade é pequena comparada com as capitais, não acreditava que teria dificuldades em conseguir realizar meu trabalho em poucos dias, mas a realidade mostrou-se diferente. Depois de visitar a maioria dos laboratórios, foi me apresentado uma serie de candidatos, mas nenhum deles atendia o que a vaga precisava. Até que surgiu um candidato muito simpático, que pareceu ser a escolha certa. Embora fosse uma pessoa muito educada, atenciosa, se revelou disperso a partir do segundo dia que eu o havia conhecido e acabei desistindo de contrata-lo. 
Sempre fazíamos grandes churrascos com os peixes de Santarem;

Enquanto isso o tempo estava passando. Eu já havia me comprometido com os laboratórios de iniciar as coletas e como não tinha ainda a pessoa para fazê-lo, eu quem fiquei fazendo as coletas por uns 03 dias, até que numa manhã, ainda no hotel, apareceu um rapaz, enviado pelo SINE, que tinha tudo que eu precisava. Estava desempregado, tinha uma família que dependia dele, era falante, simpático, mas tinha um pequeno problema, não tinha carro. Tinha uma moto. Pensei um pouco e nem comuniquei a empresa. Fechei com ele, e fiz um acordo de pagar um valor menor pelo uso da moto em relação ao valor que eu pagava pelo uso de carro por outros vendedores. Posteriormente, o uso da moto foi adotado por todas as unidades, mas até aquele momento, era terminantemente proibido este tipo de contratação. Pronto estava contratado o vendedor Jackson.
Este garoto foi uma grande surpresa, além de realizar um excelente trabalho, onde conseguiu conquistar todos os laboratórios da região, duas vezes por por mês fazia coleta em Óbidos e Oriximiná, cidades distantes de Santarém, que o único meio de acesso era por rio. Ele embarcava à noite em direção a uma destas cidades e chegava na manhã seguinte. Visitava os laboratórios, fazia as coletas e voltava a noite, chegando a Santarém no dia seguinte. Ele fez estas viagens por mais de 03 anos. E o conforto destas viagens era zero. Pelo tipo de barco que havia, a única forma que tinha para dormir, era em rede.

Os barcos que atendem a região das cidades em torno de Santarém
Tempos depois, já bem ambientado ao trabalho, Jackson enviava para Belo Horizonte enormes peixes, como tambaqui, tucunaré e eu reunia o pessoal dos escritórios e o Elias, o faz tudo do Pardini, fazia aqueles peixes na brasa, regados a cerveja. Desta parte tenho saudades. Do resto não, De BH ficou lembranças de alguns funcionários que trabalharam diretamente comigo, mas no mais, já foi para o arquivo morto. Como diz a musica do Paulinho da Viola: “foi um rio que passou em minha vida”
Voltando a Santarém, era muito gostoso caminhar a tarde pelo calçadão que margeia o Rio Tapajós, literalmente um mar de água verde, que vai se encontrar logo mais a frente com o barrento Rio Amazonas e ai também acontece o fenômeno da separação das cores da água. Por um longo trecho a água verde do Tapajós não se mistura com a do Amazonas.
Jacckson e Claudia - Grandes amigos. Maravilhas de Santarém e Alter do ChãoHoje moram em Portugal

Um sábado muito quente, o Jackson me convidou para ir conhecer um lugar chamado Alter do Chão. Ele dizia ser um lugar muito bonito. Concordei e bem de manhã fomos para lá. Eu, ele e sua esposa Claudia. Uma meia hora de estrada e chegamos. Alter do Chão é sem duvida um dos lugares mais bonitos do Brasil. Quando o Rio Tapajós esta na vazante (baixo) formam diversas ilhas de areia brancas como açúcar refinado. E nestas ilhas, eles montam barracas que servem refeições e muitas cervejas. Para aumentar a renda, estas ilhas, parece até que existe um acordo dos moradores com o rio, elas se formam a uns 150 metros da aldeia e para poder chegar as ilhas, precisa contratar serviços dos canoeiros, que se valem deste período para ganhar um pouco mais dos turistas.

É um lugar fantástico. Se não fosse tão longe, e tão caro de chegar, tenho certeza que seria um dos pontos turísticos mais visitados do Brasil. Bem, e o Jackson continuou seu trabalho por um longo tempo. Quando deixei o Pardini, ele teve outra gerencia e vou demitido. Mudou para Manaus e lá foi trabalhar com reciclagem. Sempre manteve contato comigo e recentemente me escreveu que esta morando em Portugal. Mudou com toda a família e esta se reconstruindo por lá. Uma grande pessoa, um grande amigo ao qual tenho muito carinho e gratidão. Abraços Jackson, abraços Claudia extensivo aos seus filhos.
No próximo capitulo, para fechar de vez a região amazônica, estarei contando a historia de duas mulheres valentes, que me deram muitas alegrias. Brinnya, de Porto Velho e Maria de Jesus, de Rio Branco.
Continua.




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

CÍRIO DE NAZARÉ – A MAIOR DEMONSTRAÇÃO DE FÉ DO POVO PARAENSE


Imagem de Nossa Senhora de Nazaré
Minha chegada à Belem, depois de 05 dias a bordo de um navio da Enasa, já tinha sido o suficiente. Um detalhe interessante é que ao longo dos mais de 2000 quilometros que a viagem teve, a paisagem permaneceu inalterada. Água e árvores. Com exceção nas paradas nas cidades de Parintins, Óbidos, Oriximiná, Santarem e a chegada em Belem, o resto do caminho era tudo exatamente igual. O tempo passava devagar. De vez em quando ia a cabine de comando e perguntava para o navegador como estava indo a viagem e ele me mostrava os mapas de navegação, o sonar de profundidade e o avanço do navio. Em média, uns 30 quilometros por hora, pois estavamos a favor da correnteza. Para fazer o caminho inverso, a viagem dura 06 dias ou mais, dependendo da força da água.

Belém - Capital do Pará e da simpatia.

Quando encontrei com a vendedora Ana Maria, que gentilmente veio me buscar no porto, já havia uma grande historia por trás deste momento. Eu sempre optei por viajar de carro. Só utilizava outro meio de transporte quando  era impossivel ir por estrada. E numa destas andanças cheguei a Belém do Pará. Era meu ultimo desafio antes de iniciar a região Amazônica, embora Belém seja banhada por um mar de água doce, que é a Bacia do Guajará, onde desembocam os Rios Guamá e Acara. Eu sempre pensei que aquela água era do Rio Amazonas. Foi no navio que aprendi esta lição de geografia, pois quando chega na cidade de Breves, onde começa a Ilha do Marajó,  existe um desvio do Rio Amazonas em forma de Y e o rio segue pelo lado esquerdo e o Estreito de Breves à direita, chegado suas águas na Bacia de Guajará.

Estrito de Breves. A margem esquerda é da Ilha do Marajó

Belém é uma cidade encantadora. Mas longe! Tinha trabalhado nas cidades de Recife, João Pessoa, Natal, Mossoró, Fortaleza, Teresina, São Luiz e finalmente havia chegado a Belém. Eu e meu Gol vermelho, que chegou a rodar mais de 300.000 quilometros sem problemas de motor. Quando Belém começou surgir à minha frente, eu já tinha rodado desde minha saída de casa mais de 4.000 quilometros. Após passar a entrada de Mosqueiro, um lugar exótico e imperdível, que contarei em detalhes mais à frente, a pista passou a ser mão dupla e em ambos os lados da estrada já existia um comercio ativo e mais à frente a cidade de Ananindeua, que fica colada à Belém e esta mesma estrada me jogou numa avenida e dali até o centro da cidade. Era uma questão de hábito. Quando eu chegava numa cidade pela primeira vez, minha primeira parada sempre era o centro da cidade. Lá eu procurava por informação de hotel, me localizava e ai começava a ver realmente onde estava.

Minha casa em Belém

O hotel mais barato, dentro do padrão que costumava ficar era próximo a Estação Rodoviária. Hotel Ipê,  simples, mas bem localizado e bom atendimento. Primeira etapa do projeto estava pronta. Já estava em Belém, estava hospedado, já tinha jantado e fui dormir. O grande desafio começaria no dia seguinte: encontrar, contratar, treinar um representante para aquela grande cidade.

O Laboratório Pardini já era bem conhecido nesta epoca e tínhamos muitos clientes que enviavam suas amostras direto para Belo Horizonte via Sedex. Era precário este serviço, mas era o que tinha. Com a contratação de um representante, todos os laboratórios enviariam mais amostras e elas seguiriam em voo noturno, chegando na empresa na manha do dia seguinte, com resultado das analises dois dias depois, dependendo do tipo de exame.

Mas onde encontrar uma pessoa responsável para fazer este serviço com eficiência depois que eu fosse embora? Comecei pelo obvio. Perguntando aos donos dos laboratórios que já eram nossos clientes se tinham alguém para indicar. Depois de alguns não, me indicaram uma vendedora muito conhecida por todos, de nome Maurícia, que vendia reagentes para realização de exames. Bem, era um começo. Liguei para ela e marcamos um encontro. Encontrei com uma mulher pequena, bem magrinha, mas mostrava muita disposição e conhecimento do mercado. Achei que poderia dar certo, mas antes de enviar a documentação para admissão, resolvi trabalhar uns 03 dias com ela para ver se seria a contratação certa. Foi talvez a decisão mais acertada que fiz durante todo o tempo que trabalhei no Pardini.

Ela, embora muito simpática,  tinha muitos compromissos, devido as suas representações e não estava dando  atenção ao projeto Pardini da maneira que eu realmente precisava. Eu precisava ter alguém comprometido até a alma com a idéia, pois o serviço assim exigia e Belem era muito longe para ir lá a todo momento. Na manhã do terceiro dia, disse para a Maurícia que não ia dar certo e que eu não iria contrata-la. Acho que ela já esperava por isso. Imediatamente, ela disse que tinha uma amiga que estava desempregada e que eu iria gostar. Ela com certeza seria a pessoa certa para o que eu precisava.

Ana Maria e seu filho Lucas
Combinamos encontrar sua amiga no seu apartamento. Lá conheci a mãe dela, tomei um litro de água super gelada para combater o calor daquela cidade e ficamos aguardando a chegada da amiga. Pontualmente, às 14 horas, como combinado, eis que chega a Ana Maria. Uma morena tipica paraense, cabelos curtos e ainda tímida, começamos a conversar, mas a empatia foi instantânea. Eu tinha certeza que tinha encontrado a pessoa certa. Nossa conversa durou menos que 20 minutos e já defini que ela seria a representante. 

Pegamos o material de trabalho que estava na casa da Maurícia, e levamos o apartamento que a Ana Maria morava. Lá tive oportunidade de conhecer seu filho Lucas, um garoto de 03 anos, muito esperto, que ficou meu amigo de imediato. Hoje, ele já é advogado e com projeto de fazer mestrado em Portugal ainda este ano. Conheci também a mãe da Ana, Dona Cecilda, que estava muito doente na epoca. Já não andava. Permanecia o tempo todo deitada ou em cadeira de rodas. Era uma mulher muito bacana, conversávamos muito, mas infelizmente a doença fazia a vida da Ana Maria ser muito sofrida. Conheci também seus irmãos Celinho, Celso, Cezio e a Ângela. 

Em resumo, fiquei muito amigo da família, amizade que durou por todo o tempo que trabalhamos juntos. Depois que eu sai da empresa a Ana continuou e chegou ao cargo de supervisora de equipe, ficando responsável por toda a Região Norte. Foi uma das contratações mais acertadas que fiz em toda minha carreira profissional, pois além da excelente vendedora, que dominou completamente o mercado, tornou-se minha grande amiga. E é essa amizade que me levou a conhecer o lado magico da cidade de Belém.
Riquezas de Mosqueiro

Mosqueiro é uma ilha fluvial do Rio Pará,  vilarejo localizado nas cercanias de Belém e um lugar muito visitado. Ali é fabricado a famosa Cerâmica Marajoara. Vasos ornamentais, com figuras tipicas, que ressaltam suas belezas por serem todas feitas de forma artesanal. Lá existem dezenas de lojinhas e dentro delas é um mundo de variedades, onde você encontra tudo para decoração, desde um simples prato, até um sofisticado jogo de panelas para servir feijoada.

Os restaurantes se localizam a beira da Baia do Marajó, onde existe uma grande praia, e é característico destes estabelecimentos servirem como prato principal a tradicional peixada. Um caldeirão enorme de barro, com diversos pedaços de peixe de excelente sabor, ovos cozidos e uma verdura que não conhecia até minha primeira ida a este lugar. O jambu, uma  hortaliça muito parecida com o agrião, que quando você a mastiga, sua boca fica anestesiada. Uma sensação estranha, mas deliciosa.

Por diversas vezes, estive em Mosqueiro com a Ana Maria, onde ela tinha uma pequena casa, que estava lutando para vender e nesta vila, aos finais de semana, era festa direto. Milhares de pessoas, musicas ao vivo em vários lugares. Lembrava as praias do litoral de São Paulo na epoca do verão ou feriados prolongados. O detalhe que é praia de água doce e não causa a mesma emoção de uma praia de água salgada. Ai, o paraense não se faz de rogado, viaja mais uns quilometros e chega na Praia de Salinas, um dos lugares mais bonitos do litoral brasileiro.

Engraçado, que num lugar tão quente e distante da grande colonia japonesa no Brasil, é muito fácil encontrar restaurantes que tem como prato principal o Yakisoba. Um prato feito com macarrão fino, legumes e shoyo. Em Belem você encontra este prato em diversos restaurantes.Outro lugar imperdível que conheci em companhia da Ana foi o Mercado Ver o Peso. Ali é um mundo único. Não deve ter outro lugar na terra com as mesma variedades de produtos. Lá você encontra de tudo. Desde peixes a benzedeiras que prometem curar qualquer doença, resolver problemas de dinheiro, etc.

Mercado Ver o Peso

Junto ao Mercado Ver o Peso, tem o Antigo Porto de Belém, todo reformado, espaço que na epoca que lá estive já havia se transformado num boulevard, com diversos restaurantes e outras atrações. Me recordo que havia uma ponte rolante, que percorria toda a extensão do porto, uns 300 metros, e dentro dela, lá no alto, ia um musico, tocando e cantando musicas para alegrar o ambiente.

Nesta viagem que eu estava chegando de Manaus por barco, eu já havia deixado o meu carro na casa da Ana Maria e logo após meu desembarque, me hospedei eu fomos visitar os laboratórios. Os paraenses são de longe um dos povos mais hospitaleiros do Brasil. Fazem tudo que podem para te deixar a vontade e cada visita era uma conversa de amigos que não se viam a muitos anos. Difícil terminar uma visita em menos de uma hora. Alguns donos de laboratório eu já conhecia de congressos, outros fui apresentado pela Ana, mas em todos os lugares, o atendimento era excelente.
Antigo Porto do Pará, hoje um grande centro de lazer.

Visitando um laboratório numa das avenidas da cidade, se a memoria não me trai, era o Laboratório Amaral, deixamos o carro quase defronte à empresa e eu deixei minha pasta no banco de trás. Quando voltamos, tínhamos sido roubados. O ladrão entrou pela porta do porta malas do Gol e levou minha pasta, minha maquina fotográfica com as fotos da viagem pelo Rio Amazonas, o radio do carro e uma sacola com alguns objetos da Ana Maria. Para minha sorte, estava com a carteira no bolso, o que me evitou um monte de dor de cabeça. Ela ainda me levou a conhecer um restaurante cuja proprietária sobreviveu a queda do avião da Varig em plena selva amazônica, onde morreram praticamente todos os ocupantes e apenas alguns se salvaram, entre eles, esta senhora. Outro lado inesquecível de Belém era o final do dia. Ana tinha muitos amigos e sempre a tarde se encontravam num barzinho da cidade para um gostoso bate papo, regado da inigualável cerveja Cerpinha. A  Ana Maria, no tempo que trabalhou comigo foi sempre impecável como profissional e nas vezes que ia visita-la, sempre foi uma grande amiga, a quem devo grandes favores e agradeço nesta postagem.  Mas tem dois episódios que não posso deixar de relatar, pois a historia não ficaria completa.

Num navio como esse, enfrentamos talvez a maior chuva de nossas vidas.

Eu precisava colocar um representante em Macapá, que ficaria subordinado a Ana Maria. Eu como havia curtido muito a viagem de barco de Manaus para Belém, disse para a Ana comprar dois camarotes num navio que iria para Marabá. Assim ela fez. Quando embarcamos, o navio era completamente diferente do que eu havia viajado. Era todo de madeira, muito barulhento, com o pessoal pendurado nas redes e os camarotes era feitos para pessoas normais. Eu pesava na epoca uns 140 quilos. Mal cabia na cama. Era muito apertado. Mesmo a Ana, no outro camarote, também não conseguia se ajeitar para dormir, pois o barco balançava muito. Resolvemos então subir para o deck do navio e ver televisão. 

No inicio, estava indo tudo bem,  mas do nada começou cair uma tempestade muito forte. Não dava para voltar para as cabines, pois ventava muito e o barco balançava demais. O jeito foi ficar sentado onde estavamos, com o coração na mão, torcendo para a tormenta passar. Estávamos margeando a Ilha de Marajó e esta chuva durou horas para parar. Chegamos no Porto de Santana em Macapá, mortos de cansado,  com sono e com muita fome. Ficamos por lá uns 03 dias, contratamos um representante e voltamos de avião. Minha recomendação a quem um dia querer viajar de navio naquelas regiões. Conheça o navio antes de comprar o bilhete. Se for navio de madeira, sai fora.

Deixei para o final a parte que envolve o titulo desta publicação: Círio de Nazaré.  Trata-se com certeza da maior profissão de fé em todo o Brasil. A veneração a Nossa Senhora de Nazaré é algo que impressiona, que comove e nos transporta para um mundo de paz e esperança, que atinge a todos, sem exceção.
Círio de Nazaré - Uma das maiores manifestação de fé católica do mundo

Ana Maria conseguiu ingressos para fossemos na procissão naval. Um cortejo com mais de 1000 embarcações, que seguem um barco que levava a imagem da Santa até um local onde foi rezada um missa. No navio que estavamos, havia umas 300 pessoas e durante todo o percurso, tanto na ida como na volta, haviam grupos rezando em louvor à santa. Esta procissão aconteceu num sabado. No domingo haveria a grande procissão do Cyrio de Nazaré, onde a santa é levada de volta para sua igreja. O que chama atenção e causa angustia em quem esta assistindo é a devoção dos fiéis, que seguem o cortejo segurando uma enorme corda, de uns 10 cm de diametro por uns 500 metros de comprimento, com os rostos colados uns nos outros, num esforço supremo para não soltar a mão da corda, pois se assim o fizer, outros entrarão em seu lugar. Uma demonstração de fé, amor e devoção.
Terminada a procissão, fomos almoçar na casa de um amigo e tive oportunidade de saborear o prato mais cobiçado pelos paraense: Pato no Tucupi, acompanhando de Maniçoba, uma comida feita a base de mandioca brava, de cor verde, que eles adoram, mas que não fez o meu gosto.
Pra quem não conhece: Pato no Tucupi - Maniçoba e o famoso Açai

Foram muitas historias vividas em Belém. Lamento não ter voltado mais àquela cidade maravilhosa, de povo hospitaleiro, nestes últimos 15 anos. Muitas saudades de Belém, onde se planta arvores frutíferas em suas principais avenidas. Normal, nas épocas da colheitas, a queda de mangas nos carros estacionados  sob a sombras das mangueiras e da loucura pelo açaí, que lá é vendido em cada esquina.

Hoje,com muito orgulho Dr. Lucas e sua mãe Ana Maria.


Espero um dia poder voltar. Mas se este dia não chegar,  pode ter certeza que guardo cada momento vivido neste rincão do Brasil, da minha amiga Ana Maria e de seu filho Lucas, hoje já doutor, que na epoca me chamava de “Tio Luis”.

Continua.