sábado, 24 de março de 2018

AS MARAVILHAS DO SUL DO BRASIL

Meus amigos Roberto Machado e Jussara Borba da cidade de Pelotas - RS


Quatro semanas! Este é o tempo que precisei para ter uma nova inspiração. O que devia escrever na sequencia? Falar do Rio de Janeiro, de São Paulo? De Goiânia, Brasilia? Em qualquer lugar destes com certeza sairia uma boa historia, mas quero neste e nos próximos capitulo, contar sobre a região sul do Brasil, sobre sua gente, seus costumes, seus principais pontos turísticos, sua culinária e também sobre meus amigos, que não vejo a muitos anos.

Por muitos anos, desde o tempo que era funcionário da LTN, sentia-me atraido pelo sul do país, pela sua cultura, pela sua beleza natural e esta paixão foi se consolidando com a mudança de empregos, primeiramente na Wama e depois no Pardini. Sempre tive no sul as grandes lembranças e as que constam deste artigo foram vividas com muita emoção.
Meu primeiro contato com a região volta ao período de 1984, quando fui contratado pela LTN. A primeira viagem foi a Porto Alegre e é de lá que iniciarei este capitulo.

RIO GRANDE DO SUL


Já contei em capítulos anteriores como foi minha primeira viagem à Porto Alegre, quando em  companhia da Ângela Guerreiro, Soeli e Ruz, fizemos desta a aventura numero 01 de nossas vidas, pois além de estar na estrada por terras estranhas para nós, estavamos entrando numa nova era de nossas vidas, que foi bom para mim e também para meus amigos.


De volta aos anos 90, já no Pardini, após contratação da Jacira para trabalhar em Porto Alegre e região, comecei a desbravar o estado e uma das paradas foi a cidade de Pelotas, região que me ofereceu oportunidade de conhecer dois grandes vendedores e dois grandes amigos: Roberto Machado e Jussara Borba.

Pelotas, para quem nunca teve oportunidade de conhecer, é uma bela cidade, localizada ao sul do estado e a lembrança que guardo do lugar são as praças e os doces caseiros. O melhor doce de banana que encontrei nas minhas viagens.

Quando cheguei a primeira vez em Pelotas, o objetivo era sempre o mesmo, encontrar uma pessoa para ser a representante na região e desta vez quis o destino que eu conversasse com um taxista e ele disse que conhecia um rapaz muito bom, que  talvez eu pudesse aproveitar. Dei o endereço onde estava hospedado e o no final do dia apareceu no hotel para conversar comigo, um rapazinho, ainda com cara de guri, mas muito simpático, alegre e resolvi apostar nele. Roberto Machado, é o nome deste personagem. Apaixonado por motocross, era mecânico de automóveis até então e arranhava no castelhano. Trabalhei com ele alguns dias, visitei sua família e disse que na próxima viagem que eu fizesse à região, iria dar um pulo para conhecer Montevidéu e ele iria comigo.


Passaram entre o primeiro contato e o meu retorno à Pelotas uns 06 meses e após visitar todos os clientes da cidade e também de Rio Grande, eu decidi, após conversar com a empresa, que iria visitar a capital do Uruguai, com o pensamento de colocar ali uma frente avançada. Com as bençãos da diretoria, comprei passagens de ônibus e partimos por volta de 22 horas para um viagem de 587 quilometros. Durou a noite toda. Chegamos a Montevideo pela manhã e ai começou o primeiro problema: o frio.

Creio que todo viajante tem em sua mala de viagens, roupas adequadas para toda as as estações, o que eu tinha também, mas não estava preparado para enfrentar ventos vindo do mar, que deixavam a temperatura na casa dos 2º. Sensação horrível. As roupas que eu tinha comigo não davam a devida proteção e creio que se tivesse alguma fotografia deste momento, seria cômica, pois saia do hotel vestido com várias camisas, uma sobre as outras, blusas e paletós, e mesmo assim, era muito difícil caminhar nas ruas da capital uruguaia, principalmente a noite.

Ficamos hospedados num hotel próximo a rodoviária e o detalhe que recordo foi o sistema de água quente do chuveiro. Era uma caixa, com um certa quantidade de água, com um ponteiro, que indicava o nível da d’água. Aquilo era tudo. Se acabasse, não teria mais. Além do frio e do chuveiro, me recordo de como eram os táxis da cidade. Todos da mesma cor, preto e amarelo, que lembravam muito a camisa de futebol do Peñarol e com o motorista, separado por uma cabine, dentro do carro, que o isolava de contato com o passageiro. Segundo um taxista, o sistema foi criado para proteger os motoristas de assalto. Era uma idéia de vanguarda, na epoca. Hoje, se ainda existir, deveria ser copiado pelos taxistas do Brasil.

É engraçado estar num pais que não é o seu. Tudo parece igual, mas tudo é diferente. Quando visitava um laboratório, o Roberto com seu castelhano meia boca, ia traduzindo o que eu falava e assim visitamos todos os laboratórios da  cidade e ficamos com uma ótima impressão, que se tivéssemos um posto de trabalho por ali, teríamos muito sucesso, mas não foi possível, devido a legislação brasileira, muito burocrática, que não permitia a liberação imediata de amostras de sangue, que era a condição única para o projeto funcionar e com isso, o plano “URUGUAI” ficou resumido apenas a esta viagem.

Trago comigo boas lembranças de Montevideo. As avenidas largas e limpas, as praças com monumentos brilhando, o mar praticamente no centro da cidade e um povo muito hospitaleiro. O engraçado é que quando eu queria conversar com alguém e que o Roberto não estava comigo, eu começava a falar alto, devagar, dando impressão que quem estava conversando comigo devia ser surdo.

Ficamos em Montevideo por 03 dias e depois fomos até Punta del Leste, para conhecer a cidade, visitar os parentes do Roberto e ir ao famoso cassino Hotel Conrad Punta Del Leste. Era a primeira vez que eu entrava em um cassino e fiquei encantado e impressionado com beleza do lugar. Era um mundo novo para mim, que como bom caipira, olhava aquelas maquinas com certa desconfiança, morrendo de vontade de fazer alguma aposta, de ganhar um bom dinheiro, mas também, por falta de conhecimento, perder um dinheiro que iria fazer falta. Então resumi minha ida a um cassino apenas a uma visita.


A cidade de Punta del Leste me ficou na lembrança, não somente pelo cassino, mas pelo sistema de construção, onde a maioria das casas tem a cobertura reta, sem o tradicional V invertido das casas brasileiras. Também o numero de arvores plantadas era muito grande. Creio que vista de cima, em um avião, não dará a quem estiver olhando a ideia da pujança da cidade, visto que a mesma e todo construída em meio às arvores. Lá, também, recordo ter muito automóvel Mercedes Benz, que era raro na epoca, movido a óleo diesel. Inclusive o parente do Roberto foi nos buscar na rodoviária de Punta del Leste usando um carro deste, super conservado, ano 1972.

O que dizer do Cabo de Punta Del Leste. De um lado o Oceano Atlântico, com seu vento soprando sem parar o vento gelado do Polo sul, lá conhecido com Costa Brava e do outro a Costa Mansa, onde uma grande baia, torna as águas do Atlântico doceis e sem ondas, uma enorme piscina. A noite voltamos para Pelotas. Foram poucos dias, mas muito intensos. Aproveitamos todo o tempo que foi possível.  Conhecemos vários lugares e pessoas. Valeu muito a viagem por isso tudo.

Tempos depois, diria, anos depois, o Roberto deixou a empresa e a Jacira, na epoca já supervisora do Rio Grande do Sul, contratou para seu lugar uma linda mulher de nome Jussara Borba, que tive oportunidade de vir conhece-la em uma reunião que fiz com o pessoal do sul, na cidade de Porto Alegre. Hoje, ela mora em uma cidade dos Estados Unidos, próxima a região de Miami e vive com os filhos, um deles, na epoca, era jogador de basquete e por não saber mais detalhes, fico somente com a informação que tinha da epoca. Tivemos uma pequena convivência, mas ficou uma frase carinhosa, que até hoje ela ainda usa quando fala comigo, via internet, quando me chama de “meu diretor”. embora, nunca, na realidade tenha sido. Sempre exerci o cargo de gerente de vendas.

No próximo capitulo contarei um pouco sobre as regiões de Gramado, Santo Angelo, Santa Maria e Passo Fundo.

Continua.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

ACRE - A TERRA DE CHICO MENDES

Esta semana estou com minha publicação atrasada em virtude de  ter demorado para conseguir as  fotos da  pessoa que vou homenagear neste artigo. Vou escrever sobre Maria de Jesus, uma mulher valorosa, que muito nos honrou durante o tempo que representou o Laboratório Pardini na cidade de Rio Branco, capital do Acre.
Eu disse no capitulo anterior que havia ido conhecer Rio Branco em companhia da Brinnya e de seu namorado na epoca e ficamos por lá somente algumas horas e resolvi adiar este projeto para uma outra ocasião, considerando sempre o custo beneficio, visto que a capital do ACRE não tinha o movimento necessário para montagem de uma frente de trabalho.
Fui dando sequencia no meu trabalho, e desenvolvendo as regiões onde já tinha vendedores, e focando principalmente nos dois grandes centros  que é o Rio de Janeiro e São Paulo, regiões esta que serão comentadas em detalhes em capitulos futuros.
Eu tinha curiosidade em conhecer Rio Branco com mais tempo, isto também em função da historia de Chico Mendes, foi um seringueiro, sindicalista, ativista politicoe ambientalista brasileiro, nascido na cidade de Xapuri de 15 de dezembro de 1944, era casado com Ilzamar Gadelha Mendes e acabou sendo assassinado em 22 de dezembro de 1988, também na sua cidade natal.
Procurei saber um pouco mais sobre este brasileiro, tão conhecido e respeitado fora do Brasil, que publico abaixo um breve resumo de sua vida, conforme dados publicados no Portal da Educação do site da UOL

Pobre e iletrado, o pai de Chico Mendes ganhava a vida extraindo látex das seringueiras na floresta amazônica. Aos nove anos, o garoto Francisco Alves Mendes Filho também entrou para a profissão de seringueiro: era sua única opção, já que lhe foi negada a oportunidade de estudar. Até 1970, os donos da terra nos seringais não permitiam a existência de escolas. Chico só foi aprender a ler aos 20 anos de idade. Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e dos moradores da região amazônica tornou-se um líder do movimento de resistência pacífica. Defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros, ele organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros, ganhando apoio internacional. Fundou o movimento sindical no Acre em 1975, com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia.  


Participando ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos,  montou o Conselho Nacional de Seringueiros, uma organização não-governamental criada para defender as condições de vida e trabalho das comunidades que dependem da floresta.  Chico Mendes também atuou na luta pela posse da terra contra os grandes proprietários, algo impossível de se pensar na região amazônica até os dias de hoje. Dessa forma, entrou em conflito com os donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado. Participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, em 1977, e foi eleito vereador para a Câmara Municipal local, pelo MDB, único partido de oposição permitido pela ditadura militar que governava o país (1964-1985). Nessa época, Chico sofreu as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Ao mesmo tempo, começou a enfrentar vários problemas com seu próprio partido: o MDB não era solidário às suas lutas. Em 1979, o vereador Chico Mendes lotou a Câmara Municipal com debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas. Lembre-se: era tempo de ditadura militar  Foi acusado de subversão e passou por interrogatórios nada suaves. Foi torturado secretamente e, como estava sozinho nessa luta, não podia denunciar o fato, ou seria morto. Foi assim, em busca de sustentação política, que decidiu ajudar a criar o Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se seu dirigente no Acre. Um ano depois de ser torturado, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de ter participado da morte de um fazendeiro na região que assassinara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia. Em 1982, tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitar posseiros à violência, mas foi absolvido por falta de provas. Quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, a luta dos seringueiros começou a ganhar repercussão nacional e internacional. Sua proposta de "União dos Povos da Floresta", apresentada na ocasião, pretendia unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica. Seu projeto incluía a criação de reservas extrativistas para preservar as áreas indígenas e a floresta, e a garantia de reforma agrária para beneficiar os seringueiros. Transformado em símbolo da luta para defender a Amazônia e os povos da floresta, Chico Mendes recebeu a visita de membros da Unep (órgão do meio ambiente ligado à "Organização das Nações Unidas em Xapuri, em 1987. Lá, os inspetores viram a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros, tudo feito com dinheiro de projetos financiados por bancos internacionais. Logo em seguida, o ambientalista e líder sindical foi convidado a fazer essas denúncias no Congresso norte-americano. O resultado dessa viagem a Washington foi imediato: em um mês, os financiamentos aos projetos de destruição da floresta foram suspensos. Chico foi acusado na imprensa por fazendeiros e políticos de prejudicar o "progresso do Estado do Acre". Em contrapartida, recebeu vários prêmios e homenagens no Brasil e no mundo, como uma das pessoas de mais destaque na defesa da ecologia. Casado com Ilzamar e pai de Sandino e Elenira, Chico realizaria alguns de seus sonhos, ao assistir à criação das primeiras reservas extrativistas no Acre. Também conseguiu a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri. Foi quando as ameaças de morte se tornaram mais frequentes: Chico denunciou o fato às autoridades, deu nomes e pediu proteção policial. Nada conseguiu. Pouco mais de um ano após sua ida ao Senado dos Estados Unidos, o ativista acabava de completar 44 anos quando foi assassinado na porta de sua casa. Em 1990, o fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Darci Alves Pereira, foram julgados e condenados a 19 anos de prisão, pela morte de Chico Mendes. Em dezembro de 2008, vinte anos depois de sua morte, por decisão do Ministério da Justiça, publicada no Diário Oficial da União de 11 de fevereiro de 2009, Chico Mendes foi anistiado em todos os processos de subversão que corriam contra ele, e sua viúva Ilzamar Mendes teve direito a indenização. Na ocasião, o ministro da Justiça, Tarso Genro declarou: "Chico Mendes era um homem à frente de seu tempo, um homem que construiu um amplo processo civilizatório. Hoje, o estado está pedindo desculpas pelo que fez com ele. Chico Mendes foi importante para o Acre e para o Brasil."

Algumas imagens da cidade de Rio Branco- AC

Eu sempre pensava em ir para o Acre, mas o trabalho em outras capitais, onde a receita era maior, fazia com que esta vontade fosse adiada, por anos. Com o crescimento do trabalho, foi necessário a criação do cargo de supervisores regionais para poderem acompanhar mais de perto o trabalho dos vendedores, pois sozinho já não estava conseguindo. Os primeiros supervisores foram para as regiões de São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste. Posteriormente para o Sul e Centro Oeste, além do interior de São Paulo. Estes supervisores trabalhavam diretamente ligados a mim e isso acelerou o processo de seleção e criação de novas frentes de trabalho.

Uma pessoa que tinha sido promovida à supervisora, que já escrevi sobre ela alguns capítulos atrás foi a Jacira. Coube a ela contratar e treinar vendedores no Rio Grande do Sul, Santa Catarina,  Parana,  Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre. Este trabalho durou vários meses, mas lentamente, de cidade em cidade, acabou chegando em Rio Branco.
Quando a Jacira estava já hospedada em Rio Branco,  foi tomar um café numa lanchonete da cidade e conversou com a garçonete que a atendia e disse que estava procurando uma pessoa para trabalhar na coleta de material, e se ela conhecesse alguém, que a procurasse no hotel e deixou com ela um cartão de visita.

Logo mais, no final do dia, esta moça se apresentou a Jacira no hotel e disse que gostaria de ter o emprego. A Jacira a entrevistou e acabou contratando a nova funcionária de nome Maria de Jesus. Nativa do Acre, uma pessoal sensacional, muito esforçada, em pouco tempo, conseguiu dominar todo o trabalho juntos aos laboratórios e lá permaneceu por muitos anos e até hoje ainda trabalha na área de laboratório, agora representando um outra empresa.
Mas eu ainda não conhecia a Maria. Sempre conversamos por telefone e por e-mail, mas eu,como gerente de vendas, tinha obrigação de trabalho, ir fazer uma visita a região que a supervisora Jacira havia aberto.

Eu estava trabalhando em Manaus e resolvi aproveitar a viagem e tomei um voo para Porto Velho e depois para Rio Branco.  Gostava de ir a Porto Velho, não somente pela amizade que tinha com a Brinnya e com a família dela, mas também por ter conhecido um rapaz, na epoca que lá estive pela primeira vez, chamado David, se ofereceu para ser o representante do Pardini, mas eu já havia fechado com a Brinnya, mas ficamos amigos


Marcamos uma pescaria no Rio Madeira, na Cachoeira do Teotônio. Neste local havia um desnível de uns 02 metros e a água passava entre as pedras em alta velocidade, formando redomoinho e era naqueles lugares que se pagava peixes maiores. Eu confesso que minha habilidade de pescador se limitava a pegar alguns piaus, nas águas mais tranquilas, mas vi pescadores capturando peixes bem grandes. O Rio Madeira é muito poderoso, tanto que o governo acabou construindo duas barragens, a de Jirau e Santo Antonio.


Outra pescaria que fizemos juntos foi na Represa do Samuel (podia ser chamada de Recanto das Piranhas). Um mar de água e também um labirinto. Um pescador menos avisado, se entrar nesta represa sem um guia, tem muita chance de ficar perdido por varias horas, pois a represa foi construída num determinado ponto e o lago da represa invadiu milhares de arvores e a a fauna, principalmente marinha, se resumia a peixes como tucunaré, piau e piranhas.  Pescamos por lá o dia todo e no final tínhamos umas 50 piranhas, um tucunaré e mais nada. A noite, como é tradição, a esposa do Davi fez a tradicional sopa de piranha, que de acordo com os moradores da região, é um prato afrodisíaco.

Tinha chegado a hora de eu finalmente ir a Rio Branco. Tomei um voo em Porto Velho e 40 minutos depois estava na Capital do Acre. Aluguei um carro e me dirigi ao hotel, que ficava bem no centro da cidade. Me espantei de cara com a quantidade de agencias do Banco do Brasil que havia na praça central da cidade: 04. Soube depois que por te sido o Acre um território, antes de virar Estado, toda economia era subsidiada pelo Governo, com isso o numero de funcionários públicos era muito grande.
Maria e sua filha

Finalmente, encontrei a Maria. Marcamos se encontrar no hotel que eu estava hospedado e quando ela chegou, me passou de cara a impressão que era a melhor pessoa para ser contratada, independente de entrevistar outras e outras. Uma pessoa simples, humilde, mas muito determinada. Mostrou esta qualidade ao longo do tempo, onde permaneceu no Pardini por muitos anos, e hoje representa uma grande empresa do ramo com muito sucesso. Hoje é mãe de uma linda garotinha e já, como empreendedora, investe no segmento de roupas feitas. Uma grande amiga. Tive sorte em conhece-la e hoje, embora morando a mais de 4000 quilometros, ainda mantemos nossa amizade. Que ela seja muito feliz em todos seus projetos.

Continua



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O vendedor de sonhos: A FERROVIA DO DIABO

O vendedor de sonhos: A FERROVIA DO DIABO: Brinnya Alencar - Representante de Porto Velho Eu sempre gostei de ler. Devo este gosto ao meu tio Nicola, que desde a minha inf...

A FERROVIA DO DIABO


Brinnya Alencar - Representante de Porto Velho


Eu sempre gostei de ler. Devo este gosto ao meu tio Nicola, que desde a minha infância, sempre me presenteava com livros e revistas e embora eu ainda lesse com muita dificuldade, ele pacientemente, lia para mim. Lembro que quando eu terminei o curso primário, ele me deu de presente um livros chamado “Anuários da Seleções”. Era um livro grande, com muitas fotografias e este livro me acompanhou por muitos anos. A medida que minha leitura ia melhorando, também melhorava o meu entendimento do que o livro dizia. Era uma coletânea das publicações daquele ano da famosa revista Seleções do Reader’s Digest.

Com o passar dos anos, fui me aprofundando no mundo literário, li tudo de Julio Verne, Agatha Cristhie, José Mauro de Vasconcelos, José Lins do Rego, José de Alencar e outros autores. Certa dia, conversando com meu tio, ele me contou a historia de uma ferrovia que foi construída a partir do final de 1880, pelos ingleses, para fazer o escoamento da produção da borracha para a Europa. Esta ferrovia saia de Porto Velho e ia até o município de Guajará-Mirim, onde as cachoeiras do Rio Madeira já tinham acabado. Me encantei com esta historia e anos depois eis que encontro o livro Ferrovia da Morte – Madeira Mamoré. Li o livro muito rapidamente, e tudo que eu havia ouvido se confirmou na narrativa do autor, mas vou reproduzir abaixo um pouco desta historia que poucos conhecem.


Devido ao alto preço da borracha no mercado mundial, a ocupação do Vale do Guaporé pelos portugueses levou a região do alto Madeira a Mamoré a intensificar a produção da colheita do látex. A ligação que ia do Mato Grosso ao Atlântico, através dos rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas, era o percurso realizado no escoamento da produção comercial do Brasil e da Bolívia. A ideia de construir uma ferrovia surgiu em 1861, mas somente em 1877 é assinada Madeira – Mamoré Railway Co., um empreendimento incorporado pelos irmãos americanos Philips e Thomas Collins. Da Filadélfia, no ano de 1878, partiram engenheiros e demais trabalhadores junto com toneladas de máquinas, ferramentas e carvão mineral. Dada a insalubridade do local aliada à falta de alimentação, o único saldo positivo foi a construção de sete quilômetros de trilhos assentados. Vencidos pelas doenças e pela fome, foram poucos os trabalhadores que sobreviveram. A partir de janeiro de 1879, com a falência da empresa Collins decretada, não havia mais o que fazer. Com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 17 de novembro de 1903 entre a Bolívia e o Brasil, o Estado do Acre, que à época se fazia uma região pertencente à Bolívia, formalizou-se incorporado ao território brasileiro. Com esse acordo, o Brasil pagou à Bolívia dois milhões de libras esterlinas, cedeu algumas terras do Amazonas e se comprometeu com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, com o seu trajeto desde o porto de Santo Antônio, no rio Madeira, até Guajará-Mirim, no Mamoré, com um ramal chegando à Vila Bela, Bolívia, o que permitiria o uso de ambos os países com direito às mesmas franquias e tarifas. O Brasil ficava obrigado a construir a estrada de ferro no prazo máximo de quatro anos. Com a concorrência vendida ao americano Percival Farquhar, foi adotado o mesmo nome usado pelos irmãos Collins: Madeira Mamoré Railway Co.. Saíram de Nova York em 1907. A partir do ano de 1909, quando a ferrovia já contava com 74 km construídos. A Estrada de Ferro Madeira – Mamoré estava inaugurada em 1912. No entanto a Bolívia, nesse ano, já chegava ao Pacífico por duas ferrovias e estava sendo concluída a sua ligação com o Atlântico, pela Argentina. O canal do Panamá estaria concluído dentro de três anos e, com isso, a Madeira – Mamoré só daria lucro nos dois primeiros anos de atividades, pois a produção ordenada dos seringais do Oriente fariam cair o preço da borracha no comércio internacional. Com a falência de Percival Farquar, os investidores ingleses e canadenses foram obrigados a assumir a administração da ferrovias, o que fizeram até o ano de 1931. Em 1937, Aluízio Pinheiro Ferreira, a mando de Getúlio Vargas, assume a direção da ferrovia, que permaneceu em atividade até 1966. Depois de 54 anos de atividade, acumulando prejuízos durante esse tempo, Humberto de Alencar Castelo Branco determina a erradicação da Estrada de Ferro Madeira – Mamoré que seria substituída por uma rodovia. Atualmente, o que restou da ferrovia é um trecho recuperado que atinge a vila de Teotônio. Por falta de recursos para manutenção, o trem trafega apenas no primeiro trecho, mesmo assim, precariamente‘ (Site da Fundação Biblioteca Nacional).

Eu sempre tive em pensamento um dia conhecer a Ferrovia Madeira Mamoré, mas dada a distância e a falta de atividade, o meu sonho esta cada vez mais difícil de ser realizado, até o dia que o Pardini entrou na minha vida. Eu fui contratado para montar um equipe de vendas em todo o Brasil e ai estava minha oportunidade de matar dois coelhos com uma só cajadada.

Eu havia saído de viagem para resolver um problema em Campo Grande e aproveitei a viagem e fui até Cuiabá, onde fiquei mais alguns dias. Lá eu já tinha contratado uma biomédica, Dra, Inês, que era a responsável pelo Hospital Julio Müller, um hospital universitário e publico, que vivia lotado dia e noite. De lá vinha praticamente toda a rotina da cidade. Numa noite, no hotel, comecei  a estudar o mapa do Brasil e vi que Porto Velho estava mais perto de mim, do que nunca esteve antes. Apenas 1500 quilometros.

Liguei no dia seguinte para Belo Horizonte e conversei com o Gerente de Apoio, meu amigo Jorge Goston e ele me autorizou a implantar a região. Dias depois, me despedi do pessoal de Cuiabá e rumei com destino a Porto Velho. Não tinha a menor ideia do iria encontrar pela frente, o estado das estradas, postos de combustíveis, alimentação. Enchi o tanque e encarei o desafio. A primeira parada foi na cidade Cáceres. Local muito bonito, explorado pelo turismo ecológico, onde muitos barcos, que parecem hotel, levam os turistas para pesca pelos rios que formam o Pantanal. Dali, segui viagem e dormi a primeira noite em Pontes de Lacerda. Ainda era cedo, mas a estrada não colaborava e era tudo desconhecido para mim.
Barcos de turismos de Cáceres. São Hotéis flutuantes

Seguindo viagem no  dia seguinte, me deparei com uma estrada deserta e cheguei a ultima cidade do Mato Grosso, Comodoro, ainda por volta de 15 horas. Tinha em mente chegar a maior cidade de Rondônia, além de Porto Velho, que era Vilhena. Fui parado por uma barreira policial, no meio do nada, que tinham somente como interesse  levar algum por fora. Eu estava com tudo em ordem, mas mesmo assim, gentilmente, ofereci um valor a eles e fui dispensado, Cheguei em  Vilhena no inicio da noite e me surpreendi com o progresso daquela cidade. Moderna, limpa, com bons hotéis e restaurantes e um bom numero de laboratórios. Fiquei uma manhã por lá conhecendo o mercado e no dia seguinte segui viagem até Ji-Paraná, uma boa cidade às margens do Rio Machado, que corta a cidade. Antes tinha entrado em Cacoal e depois, antes de chegar a Porto Velho, entrei na cidade de Ariquemes, onde pernoitei mais uma noite.
Vilhena - Cacoal - Ji-Paraná e Ariquemes
Minha chegada em Porto Velho foi no começo da manhã. Fazia muito calor, mas havia chovido a pouco tempo. Me hospedei num hotel bem próximo ao centro e resolvi começar visitar os laboratórios para ver se conseguia descobrir logo uma pessoa para ser o representante Pardini na região. Queria também conversar com alguém sobre a Ferrovia do Diabo, mas ninguém sabia nada, apenas informaram que no porto do Rio Madeira havia umas maquinas velhas que ainda percorriam um certo trecho da ferrovia.
Simbolos de Porto Velho. O Rio Madeira e as 03 caixas d'água
A cidade de Porto Velho, naquela vez que lá estive, estava toda esburacada e havia grandes poças d’água por todas as ruas do centro. Era difícil não cair num buraco. Parei no primeiro laboratório da lista que eu tinha de clientes de Porto Velho. Era uma empresa bem acanhada, pequena e para entrar tive que subir degraus na calçada, que era mais elevada devido as enchentes que sempre ocorria. O Rio Madeira estava a menos de 150 metros de onde me encontrava e dava para ver a majestade deste grande afluente do Amazonas, mas isto fica para mais tarde.

Entrei no laboratório e tinha uma moça muito simpatica na recepção e mais nada. Não tinha cliente, não tinha técnicos trabalhando e nem o dono estava, apenas a recepcionista. Me apresentei a ela e conversamos um pouco sobre o meu trabalho e sobre a cidade e ai perguntei a ela se conhecia alguém para ser o representante do Pardini em Porto Velho
- Eu, respondeu sorrindo
- Você, respondi, mas tem que viajar, e as estradas não ajudam
- Eu sou a pessoa certa que você esta procurando.
- Qual o seu nome
- Brinnya!!
Eu não queria perder tempo e marquei com ela para me encontrar logo após o almoço no hotel que eu estava hospedado. Quando o recepcionista me ligou dizendo que tinha uma moça na portaria me esperando, arrumei a papelada e meu notebook e desci até a recepção. Para minha surpresa, ela estava lá, toda sorridente, mas acompanhada do namorado.

Me apresentou e pedi para preencher o formulário de cadastro de pedido de emprego, dei a relação dos documentos que precisaria providenciar e já pretendia iniciar o trabalho burocratico que tinha que ser feito pelo computador, mas o noivo ainda não se tocava e ficava ali do lado. Uma situação ridicula, pois era a primeira vez na minha vida que eu fazia uma seleção de pessoal com acompanhante. Estive para desistir da contratação, mas relevei e pedi para ela voltar na manhã do dia seguinte.  Ela voltou e o sujeito veio junto, mas ai disse para ela que iriamos sair para visitar os clientes no meu carro.  O sujeito ficou meio ressabiado, mas eles acabaram conversando e fomos trabalhar. Durante o dia, disse que não poderia contrata-la se o namorado viesse acompanha-la todo dia. Ele estava criando uma situação que dificultava o trabalho. Depois desta conversa, ele não voltou mais. Trabalhamos juntos mais  uma semana e estava na hora de eu voltar para Cuiabá, pois meu trabalho teria sequencia nas cidades de Goiânia e Brasilia.
Ferrovia Madeira Mamoré- um marco da engenharia em 1880  

Antes de partir, fui conhecer a Ferrovia do Diabo. Um museu caindo aos pedaços, com fotografias amareladas e abandonadas pelo descaso e no patio tinha duas locomotivas a vapor, uma delas ainda funcionando. Pensei até em fazer o passeio, mas o mesmo só acontecia aos domingos, se houvesse um numero minimo de passageiros e acabei desistindo.

Me despedi da Brinnya e prometi voltar dentro de 45 dias para ver como estava indo o trabalho e logo que terminei meu trabalho em Brasilia, tomei um voo para Porto Velho e a Brinnya estava me esperando, logico, com o namorado. Trabalhamos visitando todos os clientes novamente e disse que gostaria de ir até Rio Branco, capital do Acre, pois pretendia colocar um representante naquela lugar. Poderíamos ir de carro, mas ai entrou na parada o noivo novamente. Ele se ofereceu para ir junto no carro dele, que era mais novo e acabei concordando. Me acomodei no banco de trás e deixei o sujeito dirigir  e fui curtindo a viagem. A paisagem da região é muito bonita. Lá existe uma arvore que parece ser plantada invertida, como se as raízes fossem a copa, descobri depois se tratar do baobá.

Balsa do Rio Madeira
A viagem foi bem até a chegada do Rio Madeira, quando lá tínhamos que pegar uma balsa e navegar pelo rio por uns 05 quilometros. A Balsa passava a uns 30 metros da margem da Bolívia e era engraçado ver os soldados bolivianos armados, vigiando o caminho da balsa brasileira. Chegamos em Rio Branco e fomos visitar os laboratórios, mas devido ao horário que chegamos e o fuso horário de mais uma hora, não conseguimos encontrar quase ninguém e resolvi deixar Rio Branco para uma outra ocasião e retornamos a Porto Velho no final do dia. Com o namorado dirigindo. Certo ponto da viagem, vi que ele já não estava aguentando mais dirigir e assumi o volante e chegamos em Porto Velho por volta de 02 horas da madrugada.  Tinhamos percorrido mais de 1100 quilometros com a ida e a volta.

A partir daquele dia, ele nunca mais apareceu. Trabalhamos mais uns dias e quando voltei lá em outra ocasião, eles haviam terminado o namoro. Passando um tempo, eu estava em Belo Horizonte, recebo um telefonema da Brinnya, dando a noticia que mais me apavorava. Luis, estou gravida. Gravidez, significava ter que contratar um pessoa temporária e isto já era difícil próximo da gente, imaginem em Porto Velho. Ela continuou a trabalhar e quando estava perto de completar o 09 meses. Eu fui a Porto Velho e a ela me apresentou a uma moça chamada Carla Pinho, que era responsável pelo maior cliente nosso na cidade.


Carla Pinho  fez o trabalho da Brinnya durante a gravidez
A Carla se prontificou a realizar a coleta no tempo que a Brinnya ficasse afastada, mas não deixaria o emprego. Conversei com a empresa e fizemos um esquema para paga-la como prestadora de serviço. Logo depois que nasceu a filha Bruna, em pouco tempo a Brinnya voltou ao trabalho, fazendo apenas visitas comerciais, deixando a coleta para a Carla e assim funcionou por uns 03 meses. No final, tudo voltou ao normal. Anos depois, a vida da Brinnya e da Carla se misturam novamente, mas isto é uma outra historia. A Brinnya foi uma representante espetacular. Fiquei amigo de toda sua família, inclusive de seu pai, um musico incrível, que tocava na noite de Porto Velho e tive oportunidade de ver uma apresentação.

Hoje a Brinnya se casou com o Oswaldo e mora na cidade de Tanabi, aqui no Estado de São Paulo. É mãe de mais duas crianças, o Pedro e a Rafaela, além da Bruna. Trabalha atualmente como representante da Mary Key e dentro do seu plano de trabalho, deve atingir a diretoria da empresa este ano e ter o seu desejado carro rosa.


Uma grande amiga, uma grande mulher, uma mãe exemplar, a quem dedico toda minha homenagem  e o prazer de um dia ter acreditado nas suas palavras: “Você conhece alguém para me indicar. E a resposta Eu, estava correta.”

No próximo capitulo, vou contar mais sobre esta região e como desenvolvemos a região de Rio Branco, com a Maria Xavier.

Vou parar aqui para não deixar o capitulo muito longo.

Continua








domingo, 11 de fevereiro de 2018

ALTER DO CHÃO – PRAIA DE AREIA BRANCA

Alter do Chão - Um dos lugares mais bonitos do Brasil


Alter do Chão. Nome estranho num primeiro momento. Muitos talvez nunca ouviram este nome, mas se trata de um dos lugares mais bonitos do Brasil. Vejam a definição encontrada sobre este lugar, através do Wikipédia:

Alter do Chão é um dos distritos administrativos do município de Santarém, no estado do Pará. Localizado na margem direita do Rio Tapajós, dista do centro da cidade cerca de 37 quilômetros através da rodovia Everaldo Martins (PA-457). É o principal ponto turístico de Santarém, pois abriga a mais bonita praia de água doce do mundo segundo 
jornal inglês The Guardian, ficando conhecida popularmente como Caribe Brasileiro.[1]
No início do século XX, Alter do Chão era uma das rotas de transporte do látex extraído das seringueiras de Belterra e Fordlândia. Foi um período curto de desenvolvimento para a vila. Mas a partir da década de 1950, ocorreu a decadência do extrativismo amazônico e a vila foi atingida pelo déficit econômico. Desde a década de 1990 até os dias de hoje, o atual distrito aposta no turismo para evoluir economicamente, no qual obteve bons resultados.
Nas margens do rio Tapajós e do Lago Verde, em Alter do Chão, existem diversas praias. A mais famosa delas é a praia de mesmo nome do distrito, localizada em uma península com terrenos arenosos e inundáveis e também conhecida como Ilha do Amor. Existem também praias menores, como Cajueiro, na orla do distrito.]
Para fechar o espaço da região amazônica, tinha mais um desafio pela frente. A cidade de Santarém. Localizada no meio da Selva Amazônica, a 1000 quilômetros de distancia de Manaus  e a 1000 de Belém, é uma cidade moderna, com um bom aeroporto e o melhor porto fluvial do Brasil. Localizada na confluência dos Rios Tapajós e Amazonas, esta cidade conta com uma população superior a 250,000 habitantes. 
Ali, na época que lá estive, é um ponto de comercio de todas as cidades ribeirinhas. Diariamente, centenas de pessoas chegam e partem de inúmeros barcos trazendo e levando mercadorias, pessoas, medicamentos. É impressionante o movimento que existe no Porto de Santarém. A cidade também foi um importante local para o comércio do ouro. Ainda existia na época muitas lojas de comercio de compra e venda deste metal precioso.
Meu negócio era laboratório de analises clinicas e eu estava lá para criar uma frente de trabalho para atender a região e o objetivo era o mesmo de outros lugares, encontrar e treinar uma pessoa para cuidar das tarefas de venda, coleta e transporte das amostras para Belo Horizonte.
Como a cidade é pequena comparada com as capitais, não acreditava que teria dificuldades em conseguir realizar meu trabalho em poucos dias, mas a realidade mostrou-se diferente. Depois de visitar a maioria dos laboratórios, foi me apresentado uma serie de candidatos, mas nenhum deles atendia o que a vaga precisava. Até que surgiu um candidato muito simpático, que pareceu ser a escolha certa. Embora fosse uma pessoa muito educada, atenciosa, se revelou disperso a partir do segundo dia que eu o havia conhecido e acabei desistindo de contrata-lo. 
Sempre fazíamos grandes churrascos com os peixes de Santarem;

Enquanto isso o tempo estava passando. Eu já havia me comprometido com os laboratórios de iniciar as coletas e como não tinha ainda a pessoa para fazê-lo, eu quem fiquei fazendo as coletas por uns 03 dias, até que numa manhã, ainda no hotel, apareceu um rapaz, enviado pelo SINE, que tinha tudo que eu precisava. Estava desempregado, tinha uma família que dependia dele, era falante, simpático, mas tinha um pequeno problema, não tinha carro. Tinha uma moto. Pensei um pouco e nem comuniquei a empresa. Fechei com ele, e fiz um acordo de pagar um valor menor pelo uso da moto em relação ao valor que eu pagava pelo uso de carro por outros vendedores. Posteriormente, o uso da moto foi adotado por todas as unidades, mas até aquele momento, era terminantemente proibido este tipo de contratação. Pronto estava contratado o vendedor Jackson.
Este garoto foi uma grande surpresa, além de realizar um excelente trabalho, onde conseguiu conquistar todos os laboratórios da região, duas vezes por por mês fazia coleta em Óbidos e Oriximiná, cidades distantes de Santarém, que o único meio de acesso era por rio. Ele embarcava à noite em direção a uma destas cidades e chegava na manhã seguinte. Visitava os laboratórios, fazia as coletas e voltava a noite, chegando a Santarém no dia seguinte. Ele fez estas viagens por mais de 03 anos. E o conforto destas viagens era zero. Pelo tipo de barco que havia, a única forma que tinha para dormir, era em rede.

Os barcos que atendem a região das cidades em torno de Santarém
Tempos depois, já bem ambientado ao trabalho, Jackson enviava para Belo Horizonte enormes peixes, como tambaqui, tucunaré e eu reunia o pessoal dos escritórios e o Elias, o faz tudo do Pardini, fazia aqueles peixes na brasa, regados a cerveja. Desta parte tenho saudades. Do resto não, De BH ficou lembranças de alguns funcionários que trabalharam diretamente comigo, mas no mais, já foi para o arquivo morto. Como diz a musica do Paulinho da Viola: “foi um rio que passou em minha vida”
Voltando a Santarém, era muito gostoso caminhar a tarde pelo calçadão que margeia o Rio Tapajós, literalmente um mar de água verde, que vai se encontrar logo mais a frente com o barrento Rio Amazonas e ai também acontece o fenômeno da separação das cores da água. Por um longo trecho a água verde do Tapajós não se mistura com a do Amazonas.
Jacckson e Claudia - Grandes amigos. Maravilhas de Santarém e Alter do ChãoHoje moram em Portugal

Um sábado muito quente, o Jackson me convidou para ir conhecer um lugar chamado Alter do Chão. Ele dizia ser um lugar muito bonito. Concordei e bem de manhã fomos para lá. Eu, ele e sua esposa Claudia. Uma meia hora de estrada e chegamos. Alter do Chão é sem duvida um dos lugares mais bonitos do Brasil. Quando o Rio Tapajós esta na vazante (baixo) formam diversas ilhas de areia brancas como açúcar refinado. E nestas ilhas, eles montam barracas que servem refeições e muitas cervejas. Para aumentar a renda, estas ilhas, parece até que existe um acordo dos moradores com o rio, elas se formam a uns 150 metros da aldeia e para poder chegar as ilhas, precisa contratar serviços dos canoeiros, que se valem deste período para ganhar um pouco mais dos turistas.

É um lugar fantástico. Se não fosse tão longe, e tão caro de chegar, tenho certeza que seria um dos pontos turísticos mais visitados do Brasil. Bem, e o Jackson continuou seu trabalho por um longo tempo. Quando deixei o Pardini, ele teve outra gerencia e vou demitido. Mudou para Manaus e lá foi trabalhar com reciclagem. Sempre manteve contato comigo e recentemente me escreveu que esta morando em Portugal. Mudou com toda a família e esta se reconstruindo por lá. Uma grande pessoa, um grande amigo ao qual tenho muito carinho e gratidão. Abraços Jackson, abraços Claudia extensivo aos seus filhos.
No próximo capitulo, para fechar de vez a região amazônica, estarei contando a historia de duas mulheres valentes, que me deram muitas alegrias. Brinnya, de Porto Velho e Maria de Jesus, de Rio Branco.
Continua.